25 de setembro de 2020
Abime
Notícias

Estados que melhoraram resultados no Ideb colocaram foco em ensino integral, projetos integrados e desenvolvimento emocional

Abime-estados-ideb-educação

Especialistas destacam iniciativas que podem ter contribuído para melhorar o desempenho ao longo dos anos.

Com base no desempenho dos estados brasileiros no Ideb dos últimos anos, especialistas destacam quais iniciativas podem ter melhorado o desempenho de estados como Ceará, Espírito Santo, Goiás e Pernambuco. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica avalia o conhecimento dos alunos em português e em matemática, além de considerar as taxas de reprovação em cada localidade.

Os pontos que aparecem nos melhores índices:

  • expansão do ensino integral;
  • currículos que desenvolvem o lado emocional;
  • escolha de gestores escolares por processo seletivo, não por nomeação política;
  • integração entre as políticas públicas e os projetos para os ensinos fundamental e médio e uma gestão pedagógica sistêmica envolvendo todas as etapas;
  • investimentos em infraestrutura;
  • equidade no desenvolvimento dos municípios;

No geral do país, os resultados do Ideb 2019 ficaram assim:

  • No ensino médio, o Brasil não atingiu a meta estipulada pelo Ministério da Educação (MEC). Apesar disso, houve melhora em relação à edição anterior do Ideb, de 2017.
  • Nos anos iniciais do ensino fundamental, o Ideb nacional, mais uma vez, ultrapassou a meta. No entanto, nos anos finais, ficou com desempenho abaixo do esperado.
  • Confira abaixo, na visão de especialistas em educação, o que fizeram os estados que obtiveram melhora nos seus desempenhos ao longo dos anos:

    1- Expansão do ensino integral

    Por mais que o Brasil não tenha atingido a meta proposta pelo MEC no ensino médio, houve uma evolução no Ideb de 2019 em relação às edições anteriores. Entre 2011 e 2015, o índice ficou estagnado em 3,7. Depois, em 2017, subiu apenas 0,1. Até dar um salto maior e atingir o patamar atual de 4,2.

    Segundo Olavo Nogueira Filho, diretor de políticas educacionais da organização Todos Pela Educação, a expansão do ensino integral em Pernambuco colaborou para o aumento do Ideb no estado no ensino médio. Apesar de não cumprir a meta, subiu de 4,1 (2017) para 4,5 (2019). O exemplo foi seguido também por Espírito Santo (maior Ideb no ensino médio do país), Goiás (único estado a bater a meta estabelecida) e Ceará (maior evolução histórica do Ideb nos anos iniciais do ensino fundamental).

    “Não é apenas ampliar a carga horária das escolas, e sim pensar em um modelo mais atrativo para o jovem. Não é para oferecer mais do mesmo”, afirma Nogueira Filho.

    “No modelo histórico de ensino integral, os estudantes tinham aulas de manhã e, à tarde, participavam de atividades extracurriculares. Já ficou provado que isso tem um potencial muito baixo de melhoria na aprendizagem. O que faz a diferença é pensar em um currículo próprio para a escola integral“, completa.

    Ele menciona também que, em Pernambuco, os professores do ensino integral dedicam-se exclusivamente à escola – não precisam procurar mais de um emprego. “Ficar mais tempo com os mesmos alunos cria espírito de equipe e vínculo com as turmas”, afirma o especialista.

    2- Desenvolvimento emocional como parte do currículo

    Em muitas escolas integrais os currículos agora exploram o desenvolvimento emocional e estimulam os jovens a tomarem a iniciativa. “Pernambuco introduziu, além das disciplinas básicas, uma série de aulas sobre desenvolvimento emocional. Os alunos são estimulados a formar clubes, a participar de orientações de estudo e a elaborar um projeto de vida”, diz Nogueira Filho.

    Ele avalia que “não dá mais para pensar em uma escola onde o adolescente é apenas receptor de conteúdos. Ele deve participar do processo escolar.”

    3- Mudança na escolha de gestores

    Claudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), afirma que a forma de escolher os gestores educacionais pode ter sido decisiva para uma melhora no Ideb de alguns estados.

    “Houve uma maior profissionalização da gestão das redes estaduais. Boa parte dos funcionários foi escolhida por processo seletivo, e não indicada politicamente”, diz Costin. Ela cita os exemplos de Goiás e Paraná, que organizaram seleções para eleger os secretários estaduais. Também menciona São Paulo, que escolheu um representante com experiência prévia em gestão.

    4- Integração entre políticas públicas

    As políticas públicas de educação, no ensino fundamental ou no médio, precisam estar interligadas, na visão dos especialistas. “Os estados com melhora no Ideb articularam as ações propostas. Não acreditaram que uma só seria a solução mágica nem fizeram um número enorme de projetos, mas sem conexão entre eles. Sem coerência, não há resultado na escola”, diz Nogueira Filho.

    A ideia de integração passa por um currículo novo a ser ensinado nos colégios deve estar em sintonia com as avaliações aplicadas, com as iniciativas de formação docente e com os investimentos em infraestrutura, afirma o especialista. “Não faz sentido pensar em um material de apoio que não converse com os programas que preparam os professores.”

    Outro elemento importante observado nos estados com melhora no Ideb é a continuidade das políticas públicas, mesmo quando há troca de governantes. “Muitas vezes, quando um novo partido ganha a eleição, tudo o que já foi feito é desconstruído, mesmo o que estava dando certo”, diz Costin, da FGV.

    “No Espírito Santo [melhor Ideb de ensino médio], o ensino integral não só se manteve, como também foi ampliado.”

    5- Investimentos em infraestrutura

    Secretarias de ensino entenderam, segundo Olavo Nogueira Filho, a importância de investir em infraestrutura nas escolas. “Um bom ambiente na sala de aula favorece o processo de aprendizagem. Claro que esse fator, isoladamente, não resolve o problema da educação brasileira. Mas deve ser um dos focos”, diz.

    Dados divulgados no passado pela Unesco mostram uma associação feita constantemente entre os educadores: boa infraestrutura é encontrada em escolas que apresentam bons níveis educacionais.

    6- Equidade no desenvolvimento dos municípios

    Outro fator importante é proporcionar o desenvolvimento educacional a todos os municípios. Costin cita o caso do Ceará, que “conseguiu promover mudanças em todas as cidades nos últimos 10 anos”.

    No ranking nacional de 2019, o estado apresentou o melhor desempenho nos anos iniciais do ensino fundamental, nos quais a rede municipal tem maior participação.

    “Houve um avanço de qualidade, com equidade. Outros estados estão se inspirando no que o Ceará fez – conseguir, mesmo em um cenário de muita pobreza, fazer diferente e em larga escala”, afirma Costin.

    7 – Quatro estados entre os 7 melhores, e o que eles têm em comum

    Quatro estados estão entre as sete melhores avaliações do ensino fundamental ao médio.

    Na etapa intermediária de ensino, do 5º ao 9º ano, estes estados ocupam do primeiro ao quarto lugar do ranking geral, sem considerar se bateram ou não a meta: SP, CE, GO e PR.

    Ideb 2019, por estado, todas as redes

    Posição Anos iniciais (EF) Anos Finais (EF) Ensino Médio
    1 SP SP ES
    2 DF CE GO
    3 MG GO PR
    4 PR PR SP
    5 SC DF DF
    6 CE SC PE
    7 GO ES CE

    Fonte: G1

  • Postado por Abime

Related posts

Conselho Nacional de Educação recomenda que aulas não presenciais contem como carga horária em tempos de pandemia

julio_bessa

Senado aprova lei que impede governo de cancelar bolsas de estudo até o fim de 2021

julio_bessa

MEC apresenta plataforma de monitoramento do coronavírus

julio_bessa

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.