7 de dezembro de 2021
Abime
Gestão Escolar

A mídia impressa é indispensável no ensino

midia impressa

Além da importância da mídia impressa no ensino, Two Sides vem se dedicando a esclarecer, principalmente, os vários enganos sobre os impactos ambientais do papel, cartão e papelão, demonstrando que esses materiais são muito mais amigáveis ao meio ambiente do que as pessoas em geral supõem.

 

Mas também precisa ser divulgado amplamente que a mídia impressa é muito eficaz e eficiente e, com raras exceções, continua a ser indispensável, apesar das opções de comunicação digital1. Assim é nos processos de ensino e aprendizagem, em diferentes níveis. Certamente não se imagina, por exemplo, a volta das enciclopédias impressas como fontes de informação. Essas e outras obras de consulta funcionam muito bem na forma digital. No entanto, para o desenvolvimento de capacidades cognitivas muito importantes, a mídia impressa é fundamental.

Não se trata de escolher, por exemplo, entre mídias eletrônicas ou impressas. Two Sides entende que todos os recursos disponíveis para aprimorar a educação devem ser usados. No entanto, a leitura em papel não pode ser abandonada sem um grande prejuízo para a aprendizagem.

mídia impressa

Foto: Envato Elements

Benefícios da leitura impressa

Livros didáticos continuam sendo imprescindíveis. Vários estudos científicos têm confirmado que a leitura a partir da mídia impressa é muito mais eficaz para a compreensão e memorização de conteúdo do que a leitura em telas.

Segundo Maryanne Wolf, neurocientista e diretora do Centro para a Dislexia da Universidade da Califórnia, diferentes plataformas demandam diferentes capacidades cerebrais. Ela se preocupa com o fato de que a mistura de estímulos mentais proporcionada pela leitura em plataformas eletrônicas pode, sobretudo, comprometer seriamente a capacidade de leitura aprofundada de textos que demandam maior concentração, além de dificultar a própria construção de um pensamento crítico original2.

Embora a aprendizagem em plataformas digitais possa ajudar a desenvolver outras capacidades também úteis, parece claro que a leitura em papel, que moldou até agora a transmissão do conhecimento nas nossas culturas, não pode ser de nenhuma maneira colocada em segundo plano.

Leia: Maria Montessori ganha romance bibliográfico

Europa atenta

Preocupada com essas importantes questões, a Comissão Europeia promoveu diversas pesquisas sobre o tema, no âmbito de um projeto intitulado “E-Read” 3. Durante quatro anos, cerca de 200 acadêmicos estudaram comparativamente as leituras em papel e em dispositivos eletrônicos. A conclusão foi sintetizada na “Declaração de Stavanger” (em referência à Universidade de Stavanger, na Noruega):

“…A investigação indica que o papel continua a ser o suporte preferido para a leitura de textos mais extensos, especialmente se exigem uma compreensão mais profunda e se a tarefa de leitura requer maior retenção da informação, e também indica que é o suporte que melhor se adequa a uma leitura de textos longos de caráter informativo. A leitura deste tipo de textos possui um valor inestimável quando se visam algumas capacidades cognitivas tais como a capacidade de concentração, o desenvolvimento de vocabulário ou capacidades de memória. Assim, é importante que preservemos e promovamos a leitura de textos longos e autónomos como uma das modalidades de leitura possível. Além disso, como a utilização de ecrãs continua em crescimento, um dos desafios mais prementes será o de descobrir formas ou estratégias que facilitem a leitura aprofundada de textos de formato longo em suporte digital…”

Além da leitura em papel, tomar notas em cadernos também se revela mais estimulante para o cérebro e mais eficaz na aprendizagem do que teclar em equipamentos eletrônicos.

Anotações no papel e no digital

Aliás, numa pesquisa recente da Universidade de Tokio, orientada pelo neurocientista Kuniyoshi Sakai, estudantes que fizeram anotações à mão, em cadernos, apresentaram melhores resultados em memorização e compreensão do que aqueles que usaram teclados. Durante os testes, as atividades cerebrais dos estudantes foram monitoradas por ressonância magnética.  Naqueles que usaram a escrita manual verificou-se atividade cerebral muito mais intensa em áreas associadas com linguagem, memória, orientação e visualização4.

Segundo o cientista, a escrita à mão é mais eficaz porque estimula muito mais o cérebro, pelo desenho das letras, pela sensação tátil do contato com o papel e com a caneta (ou lápis) e pela distribuição das informações no espaço da página.

  • Citações:
  1. https://twosides.org.br/aprendizagem-e-educacao/
  2. O Cérebro no Mundo Digital – Os Desafios da Leitura na Nossa Era, Editora Contexto
  3. http://ereadcost.eu/stavanger-declaration/
  4. Frontiers | Paper Notebooks vs. Mobile Devices: Brain Activation Differences During Memory Retrieval | Behavioral Neuroscience (frontiersin.org)

Equipe Two Sides Brasil

www.twosides.org.br

Two Sides é uma organização global, sem fins lucrativos, criada na Europa em 2008 por membros das indústrias de base florestal, celulose, papel, cartão e comunicação impressa. Two Sides estimula a produção e o uso conscientes do papel, da impressão e das embalagens de papel, bem como esclarece equívocos comuns sobre os impactos ambientais da utilização desses recursos. Papel, cartão e papelão são provenientes de florestas cultivadas e gerenciadas de forma sustentável. Além disso, são recicláveis e biodegradáveis.

Fonte: Revista Educação

Publicado por Abime

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